Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel e ordena transferência de embaixada americana

Decisão é considerada polêmica, uma vez que os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado. Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível.

trump-israel

O presidente dos EUA, Donald Trump, exibe proclamação que reconhece Jerusalém como capital de Israel nesta quarta-feira (6) na Casa Branca (Foto: Kevin Lamarque/ Reuters)

presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (6) que reconhece Jerusalém como capital de Israel e que pediu ao Departamento de Estado que inicie o processo de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém.

O anúncio foi feito um dia após diversos apelos da comunidade internacional para que a decisão não fosse tomada. O reconhecimento de Jerusalém como capital é considerado polêmico, uma vez que os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado, e a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense sobre a cidade como um todo.

    ”Meu anúncio marca o começo de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos”, anunciou Trump no início de seu discurso feito na Casa Branca. “Hoje reconhecemos o óbvio”.

m encontro em maio (Foto: Reuters/Jonathan Ernst)

 

“Com o anúncio reafirmo o comprometimento da minha administração com um futuro de paz”, disse o presidente.

Trump afirmou que os EUA estão “profundamente comprometidos” em facilitar um “acordo de paz aceitável” tanto para israelenses como para palestinos e em apoiar uma solução de dois Estados no Oriente Médio, caso os dois lados queiram isso.

Para o presidente americano, Jerusalém deve continuar sendo o lugar sagrado e local de culto de judeus, muçulmanos e cristãos. Trump também disse que o dia pede “calma, vozes de moderação”, para que a ordem prevaleça sobre o ódio.

000-ux5we

Palestinos assistem ao discurso de Trump em café em Jerusalém (Foto: Ahmad Gharabli / AFP)

Trump ainda anunciou em seu discurso que o vice-presidente Mike Pence irá ao Oriente Médio nos próximos dias.

Com o anúncio, Trump cumpre uma promessa feita ainda durante a campanha eleitoral de 2016, como uma forma de satisfazer a base pró-Israel de direita que o ajudou a conquistar a presidência.

Sua decisão faz com que seja cumprida a lei que prevê o reconhecimento de Jerusalém como capital que foi adotado pelo Congresso Americano em 1995. A aplicação da lei vinha sendo adiada nas últimas duas décadas, sob justificativa de “interesses de segurança nacional”. Em junho, o próprio Trump prorrogou a lei por mais seis meses.

“Depois de mais de duas décadas de adiamento, não estamos mais perto de um acordo de paz duradouro”, disse Trump.

Reações

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reagiu dizendo que o anúncio é uma “decisão valente e justa” e um “marco histórico”. O premiê afirmou que qualquer acordo de paz com os palestinos deve incluir Jerusalém como a capital de Israel e pediu que outros países sigam os EUA na decisão de transferir suas embaixadas a Jerusalém.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, disse que Trump “violou todas as resoluções e acordos internacionais” e que os EUA perderam seu papel de mediador na construção da paz. Também afirmou que Jerusalém é “a eterna capital do Estado da Palestina”.

Países como França, Turquia, Egito, Jordânia e Irã rejeitaram a decisão de Trump.

O secretátio-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que vai apoiar que israelenses e palestinos retomem as negociações. “Não há alternativa à solução de dois Estados, não há plano B”, disse.

isarael

Bandeiras de Israel e Estados Unidos projetados no muro da Cidade Velha de Jerusalém pelas autoridades municipais (Foto: AFP/Ahmad Gharabli)

‘Consequências perigosas’

Trump passou o dia de terça-feira (4) telefonando para vários lideres árabes para dizer que tinha a intenção de transferir a embaixada americana em Israel a Jerusalém.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, o Rei Abdullah da Jordânia e o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi argumentaram com o mandatário americano que a decisão unilateral pode desencadear ainda mais turbulência na região.

Trump notificou Abbas sobre ”suas intenções de mover a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém”, afirmou o porta-voz do presidente palestino, Nabil Abu Rdainah.

Abbas, em resposta, “alertou para as consequências perigosas que tal decisão teria no processo de paz e também para a paz, segurança e estabilidade na região e no mundo”, e também apelou para que o Papa Francisco, os líderes da Rússia, da França e da Jordânia intervenham na questão.

O presidente egípcio alertou Trump contra “medidas que prejudiquem as chances de paz no Oriente MédEm foto de arquivo, Donald Trump cumprimenta presidente da Autoridade Palestina

Alerta

io”. O comunicado da presidência afirma ainda que al-Sisi “afirmou a posição do Egito de preservar o status legal de Jerusalém dentro do âmbito de referências internacionais e resoluções relevantes da ONU”.

O rei da Jordânia advertiu Trump que tal medida teria “graves consequências na estabilidade e segurança da região” e iria obstruir os esforços norte-americanos de retomar as negociações de paz entre palestinos e israelenses, segundo comunicado do ministério das Relações Exteriores jordaniano.

A decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém. A posição jordaniana também foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson.

Ainda na terça-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse ao líder americano que o status de Jerusalém é “uma linha vermelha” para os muçulmanos. Erdogan ameaçou ainda romper as relações diplomáticas com Israel caso o governo americano transferisse sua representação diplomática.

“Senhor Trump, Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos. É uma violação da lei internacional tomar uma decisão apoiando Israel enquanto as feridas da sociedade palestina ainda estão sangrando”, completou Erdogan.

Controvérsia

O status de Jerusalém é considerado um dos maiores obstáculos nas negociações de paz entre Israel e os palestinos.

A cidade foi anexada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, que considera a cidade como capital indivisível. Na época, a decisão contrariou recomendações do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Já os palestinos consideram Jerusalém Oriental, atualmente controlada por Israel, como a capital de seu futuro estado. Jerusalém é considerada um local sagrado pelos judeus, muçulmanos e cristãos.

Fonte: G1 Notícias

 

 

Comentar

Seu endereço de email não será publicado.Campos marcados são obrigatórios *

*

8 + dezessete =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>